Cantor e compositor se apresenta no Teatro de Santa Isabel, nos dias 28 e 29, em shows antecedidos por Allexa e Karynna Spinelli
O cantor e compositor Luiz Melodia, um dos nomes mais expressivos da música brasileira, terá a direito a dose dupla no Projeto seis e Meia. Melodia se apresenta na quinta-feira (28), no Teatro de Santa Isabel, com show de abertura de Allexa. No dia seguinte, sexta-feira (29), estará no mesmo palco, antecedido pela cantora Karynna Spinelli. Os dois espetáculos começam às 19h, com ingressos a preços populares.
Com uma trajetória de sucessos, iniciada nos anos 70, Melodia mantém-se atual, com sua voz metálica a suingada, além de um repertório que embalou gerações de curtidores do melhor da MPB. A lista de hits é enorme, com destaque para clássicos como “Codinome Beija-flor”, “Pérola Negra”, “Ébano”, “Negro Gato” e “Holly Estácio”.
Carioca, nascido no morro do Estácio, no Rio, em 1951, Melodia começou a se interessar pela música ainda criança, ao ver o pai tocar. No ginásio – e depois de abandoná-lo – o artista passou a compor e tocar sucessos da Jovem Guarda e da Bossa Nova. Sua banda - Instantâneos – era formada por amigos. Aos poucos, o garoto começou a mesclar as primeiras influências musicais com a atmosfera sonora do morro em que vivia. Resultado: conseguiu construir um estilo único, apreciado no início por um grupo de “iniciados”, mas que logo ganhou a admiração da crítica e do público.
Sua música, no entanto, logo chamou a atenção de freqüentadores do Estácio, como os poetas Wally Salomão e de Torquato Neto – dois dos papas do Tropicalismo. Por meio de Wally, Gal Costa acabou conhecendo um de seus compositores prediletos. Foi a cantadora baiana que deu a largada para ampliar a carreira de Molodia, gravando "Pérola Negra", no disco "Gal a Todo Vapor", de 1972. Pouco tempo depois Maria Bethânia gravaria "Estácio Holly Estácio". A partir daí, a música de Melodia – nome artístico de Luiz Carlos dos Santos – ganhou as rádios, as TVs e o mundo do disco.
Durante algum tempo, Melodia recebeu da crítica a pecha de maldito, mas nunca qualquer jornalista da área musical deixou de reconhecer suas qualidades, especialmente depois que lançou o antológico “Pérola Negra”, em 1973. Hoje, o cantor-compositor reconheceu porque era tratado assim, apesar do imenso talento. “Não éramos pessoas que obedeciam”, recorda. “Burlávamos, pode-se dizer assim, todas as ordens da casa, da gravadora; rompíamos com situações que não nos convinham”, afirma.
Sua carreira acabou por consolidar-se no disco seguinte, "Maravilhas Contemporâneas" (1976), popularizado pela canção "Mico de Circo" (1978). Nessa época já era conhecido do público e alcançou seu espaço no cenário da MPB. Mas ele não parou ai. Em 1980, viria outro clássico - "Nós" em 1980, que incluía "Codinome Beija-flor".
Na década de 1990, veio "Relíquias" (1995), com uma releitura com novos arranjos para sucessos como "Ébano" e "Sub-anormal", e no intimista e intenso "Acústico - Ao Vivo" (1999). Nesse disco, Melodia percorria sua obra de forma mais espontânea, agora na forma espontânea de uma gravação ao vivo durante uma turnê nacional. Mais um sucesso de público e crítica.
Em todo o seu trabalho, Melodia mantém um estilo irrequieto, elegante e classudo, que chegou ao século 21 com alguns acontecimentos marcantes, tanto em CDs quanto em shows: Retrato do Artista Quando Coisa (2001), Luiz Melodia Convida (2003), Estação Melodia (2007), Especial MTV - Estação Melodia Ao Vivo (2008) e Românticos do Rio (2010).
